Políticas Públicas de Juventude e Participação

Ação Educativa realiza roda de conversa sobre as manifestações pelo país

Seg, 01 de Julho de 2013 18:33

Com o objetivo de aumentar o entendimento sobre a onda de protestos que tomou conta das ruas do Brasil e sobre os desdobramentos deste importante momento político para a democracia e a luta por direitos sociais no país, a área de Juventude da Ação Educativa promoveu, na segunda-feira (24/06), uma roda de conversa com organizações e movimentos sociais parceiros.

Cerca de 40 pessoas, entre a equipe da Ação Educativa, professores, participantes do projeto Jovens Agentes pelo Direito à Educação (JADE) e representantes do Cenpec, Fórum Hip Hop, Instituto Paulista de Juventude (IPJ), Grupo Tortura Nunca Mais, Pastoral da Juventude, Coletivo Sete Visões e grupo Sociedade Alternativa, participaram da atividade, que começou com uma fala de abertura de Sérgio Haddad, coordenador da unidade internacional da Ação Educativa.

Ele destacou que a proposta do encontro era abrir um primeiro diálogo para trocar impressões e observações sobre o que as organizações e militantes haviam presenciado até o momento. “É impossível, neste momento, fazer uma análise clara sobre os desdobramentos e os impactos das manifestações. As coisas ainda estão acontecendo e de maneira muito rápida. O que podemos fazer é levantar alguns pontos a respeito, debater, sem necessariamente pensar num encaminhamento”, afirmou.

Para Sérgio, cinco pontos que chamaram a atenção ao longo do processo que culminou com a realização de protestos em 438 cidades, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), e levou mais de 1 milhão de brasileiros às ruas, segundo as Policias Militares dos estados.

1. A ocupação das ruas como estratégias política

Conforme Sérgio, grandes manifestações com diversas classes sociais ocupando o espaço público não são uma novidade, nem no Brasil, nem no restante do mundo. Maio de 1968, manifestações de Seattle contra o Banco Mundial e o FMI, Movimentos Ocuppies, os Indignados da Espanha, a Primavera Árabe e as manifestações na Praça Taksim, na Turquia; e, no Brasil, as manifestações estudantis de 1968, as Direitas Já e os caras pintadas são alguns dos exemplos citados.

“Claro que elas são bem diferentes entre si, sobretudo se analisarmos a conjuntura em que cada uma ocorreu, mas a ocupação do espaço público como estratégia política é um traço comum, além da participação muito importante da juventude. É comum em manifestações desta natureza que se explicitem as contradições que apareceram nas reivindicações também no Brasil”, afirma.

2. A pauta dos transportes é agregadora de outras temáticas

De acordo com Sérgio, o Movimento Passe Livre, que puxou as manifestações em São Paulo, teve grandes êxito pela forma de organização – fruto do Fórum Social Mundial e da proposta de movimentos pautados na horizontalidade, mas que sabem dialogar com a política tradicional– e por saber passar uma mensagem simples, clara e bastante agregadora.

“Eles puxam por uma pauta máxima: tarifa zero, mas não caíram de paraquedas no tema, são bastante politizados e a mensagem, além de simples e direita para a população, é agregadora de diversas outras temáticas, como a privatização e a qualidade dos serviços públicos, o direito à cidade, os impostos, a transparência na gestão da coisa pública etc.”

3. A diversidade das pautas reflete as disputas postas na sociedade brasileira

“As manifestações foram crescendo da primeira à última, mas têm um ponto claro de inflexão: a violenta repressão policial assistida em São Paulo e em outras cidades”, afirma Sérgio, destacando também que, ao ir às ruas pelo direito à livre manifestação, a população acabou levando ampliando os temas e expondo a diversidade de pautas e conflitos próprios da sociedade brasileira.

“Vários temas apareceram: PEC 37, os investimentos na Copa, ‘Cura Gay’, reivindicações por serviços públicos de qualidade. Há uma amplitude de pautas, tanto de esquerda quanto conservadoras, como contra o aborto, pelo apartidarismo e pela redução da maioridade penal. Isso chama a atenção para a presença de vários setores chamados a participar da sociedade pelo consumo, mas que nunca conheceram um Estado de bem-estar social. Além disso, demonstrou que há uma grande dissintonia entre as expectativas da população em geral e a capacidade de representação e de respostas das instituições e instâncias de poder. Há uma vontade de participação e é preciso valorizá-la.”

4. O papel da polícia militar e a violência policial

Na análise se Sérgio, a atuação da polícia militar acabou contribuindo com o aumento das manifestações. Embora a violência policial seja a rotina nas periferias e contra a população negra, o restante da população teria se solidarizado com imagens de violência policial contra jornalistas e manifestantes brancos e de classe média.

5. O papel da imprensa

A disputa em torno das pautas se refletiu também, na visão de Sérgio, em uma disputa de significados nos meios de comunicação. “Houve uma tentativa de colocar a ideia de que a manifestação era contra o PT ou o governo federal, mas também não é o caso de se pensar numa tentativa de golpe. Trata-se da disputa de significados. Se quisermos que esta luta avance, precisamos estar prontos para o diálogo e para oferecer alternativas” finalizou.

No debate entre os participantes, algumas questões foram bastante destacadas, como o que a assessora da Ação Educativa e militante feminista Bárbara Lopes chamou de “privatização da política”. “O que parece se colocar em questão é como a política tradicional se coloca como campo de atuação somente para o poder econômico”, afirmou.

Paulo, do Instituto Paulista de Juventude, ressaltou o descrédito generalizado nas instituições e destacou o quanto a vontade de participação pode ser um terreno fértil. Fez também uma ressalta quanto à disputa dos significados: “Não podemos destacar só a ação da direita nas manifestações. A esquerda também pontuou, senão mais”.

Para Carolina, do movimento Periferia Ativa, que articulou com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) as manifestações nas periferias da Grande São Paulo, o fato de movimento não ter coordenação pode ser negativo diante desta disputa. “Não é necessário ter uma liderança única, mas é preciso coordenação porque a falta dela é que permitiu que a direita se apropriasse”, afirmou. E concluiu: “conseguimos uma grande vitória em diálogo com o MPL, mas seguimos mobilizados e, para nós, a pauta agora é a desmilitarização da PM”.

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