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Educar para outros mundos possíveis: O mundo não muda se a educação não mudar

IMG_8325Educar para outros mundos possíveis:

O mundo não muda se a educação não mudar

                                                                                                              Sheila Ceccon[1]

A primeira edição do Fórum Mundial de Educação(FME) aconteceu em outubro de 2001, tendo como tema central “Educação no mundo globalizado”. Já naquela ocasião, Bernard Charlot afirmava que “a redução neoliberal da educação ao estado de mercadoria ameaça o homem em sua universalidade humana e em sua construção como sujeito”. Dezesseis anos se passaram desde então e a mercantilização da educação avançou muito, ganhou espaço, conquistou corações e mentes.

O desafio que motivou a criação do FME continua forte. Continuamos precisando somar forças para, juntos/as, fazermos frente à crescente mercantilização da educação e buscarmos garantir educação com qualidade social, pública e gratuita, para todos e todas, no mundo todo.

A educação não pode ser desvinculada dos direitos políticos, civis, econômicos e dos direitos sociais. A educação é um Direito Humano. Nesse sentido, a luta contra a mercantilização da educação é um dos desafios mais importantes da história contemporânea, tendo em vista que este modelo valoriza o econômico em detrimento do humano. É preciso construir estratégias para tornar realidade uma educação emancipadora, comprometida com a consciência crítica.   Educar para outros mundos possíveis é educar para superar a lógica desumanizadora do capital, que tem no individualismo e no lucro seus fundamentos. É educar para transformar radicalmente o modelo econômico e político atual. É visibilizar o que foi escondido para oprimir, é dar voz aos que não são escutados, aos que foram silenciados. É educar para a utopia, para assumir a história como possibilidade e não como fatalidade. (GAGOTTI, 2009).

Observar o tempo decorrido desde a primeira edição do FME e evidenciar o tamanho do desafio que ainda temos pela frente, dá a impressão de que muito pouco foi feito. Nesse sentido, entendo que é importante recuperarmos passos significativos dados recentemente por este Fórum. Em janeiro de 2016, durante o Fórum Social Temático de Porto Alegre, e também em agosto do mesmo ano, durante o Fórum Social Mundial que teve sede em Montreal, foram realizadas atividades autogestionadas do FME, com a promoção de reflexões importantes junto a um público bastante diversificado.

“Atuação e desafios para a construção de outra educação para outro modelo civilizatório” foi o título do Seminário realizado pelo FME no contexto do FST de janeiro de 2016, em Porto Alegre. Organizado em dois dias, o Seminário teve início com uma mesa de diálogo mediada por Aléssio Surian (UNIPD e UPU, Itália) e Sheila Ceccon (Instituto Paulo Freire), tendo como debatedores Ramón Moncada (Corporación Conciudadania, Colômbia), Márcio Cruz (FREPOP, Brasil), Nélida Céspedes (CEAAL, Perú) e José Luis Pazos (CEAPA, Argentina). Depois de breves falas da mesa os participantes organizaram-se em grupos e responderam às seguintes perguntas:  O que fazer para que a educação esteja a favor da emancipação das pessoas e não da mercantilização do ensino?  Como contribuir a partir da perspectiva da Educação Popular e de outros enfoques transformadores?

Entre as contribuições dos/as participantes, destaco: A educação escolar deve deixar de ser  hegemônica, patriarcal e eurocentrista ; voltar a repensar o que são, de fato, práticas democráticas e inclusão ;  educar para refletir e não para repetir ; estimular o pensamento crítico ; realizar práticas educativas contextualizadas, emancipatórias ; tomar a comunidade como base para o currículo ; retomar a amorosidade de que falava Paulo Freire ; recuperar teóricos que marcaram época na América latina ; garantir a escuta de todos/as, escuta que dê existência à fala do outro/a ; praticar a democracia na escola, não tê-la apenas como norma ; entender a cultura de maneira ampliada, incluir a cultura do território, trabalhar com o conceito de cidade educadora, de cidade como lugar de educação onde há uma multiplicidade de agentes educadores ; construir, coletivamente, outra leitura da realidade. É preciso construir um discurso global que dê respostas à educação hegemônica ; buscar “influenciar” os grandes poderes que mercantilizam a educação ; disputar o significado das nossas palavras de luta ; articular outros sujeitos educativos nos processos do FME ; compartilhar experiências educativas concretas, buscando inspirar novas práticas, divulgar novas narrativas e experiências de educação alternativas”.

No segundo dia de Seminário, Moacir Gadotti (IPF, Brasil), Salete Camba (Clacso, Brasil) e Albert Sansano (STEPV, Valência) provocaram os presentes a refletir sobre a história e a importância do FME.  Na sequência, organizados em grupos, todos/as foram convidados/as a responder à pergunta: Como fortalecer o FME e ampliar seu poder de incidência, na perspectiva de enfrentamento à mercantilização vigente (da educação, da vida) e efetivação de uma educação pública e popular, crítica e emancipadora?  Muitas foram as contribuições dos/as participantes: reafirmar a educação como direito público estatal, laico e gratuito, realizada de forma crítica, popular e emancipadora ; construir estratégias de fortalecimento dos espaços de participação da sociedade civil, articulando movimentos sociais, sindicais, organizações de jovens e de idosos, para integrar as agendas e a luta em prol da educação emancipadora ; buscar incidir, com pautas do FME, em planos de governo de candidatos a eleições.

Em agosto do mesmo ano, durante o FSM 2016 realizado no Canadá, o FME realizou a atividade autogestionada “Os desafios da educação popular ante a ofensiva neoliberal: a participação social e os direitos humanos. Cinco convidados abordaram o tema sob diferentes perspectivas: eu (IPF, Brasil e CEAAL), Kevin Settee (AEU, Canadá), Albert Sansano (STEPV, Valência), Miléne Lokrou (AELIÉS, Canadá) e Aléssio Surian ( UNIPD e UPU, Itália). Na sequência, organizados em grupos, os/as participantes compartilharam suas concepções de educação popular, listaram ações educativas que consideram referência na área e identificaram possibilidades de incidência, na perspectiva da construção de outro mundo possível por meio da educação. Como referência de educação popular foram citadas ações realizadas pela Unitierra (Pluriversidad San Cristobal Chiapas, México), pela Licenciatura em Estudos Interculturais (Curso para Indígenas, da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil), pelas Comunidades de Aprendizagem Intercultural e também pela Teologia índia.

Há muito a ser feito, especialmente em uma conjuntura de avanço do neoliberalismo, de incentivo ao individualismo, à competição exacerbada, ao consumo desenfreado. Mas o mundo não mudará seu rumo sem que exista uma mudança das pessoas que nele vivem. Como já dito por muitos/as, “para que outro mundo seja possível, uma outra educação é necessária”. É preciso somar forças para tornar realidade uma educação voltada para a superação da lógica desumanizadora do capital, que assuma como missão a construção de uma sociedade justa e solidária, que respeite a vida em todas as suas formas, comprometida com o bem comum.  Uma educação que tenha como objetivo a felicidade de todos e todas, com justiça social. Onde os sonhos ultrapassem o consumo e alcancem o bem estar coletivo.

Educar para um outro mundo possível é educar para não perder de vista a utopia, para resistir, insistir, militar, dialogar, construir possibilidades, criar oportunidades de transformar realidades. Educar para outro mundo possível é assumir a história como possibilidade, é vencer a impotência. Para isso precisamos nos unir, nos fortalecer na caminhada.

Como escreveu o poeta mineiro Guimarães Rosa,.. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem (Grande Sertão: Veredas,1956).

Que a nossa trajetória continue nos inspirando para a construção da educação emancipadora e que a convivência com a diversidade seja o elo para que possamos permanecer desinquietos e lutando pelo inédito viável: uma educação pública, democrática e popular.

[1]              Engenheira agrônoma, mestre em Ensino e História de Ciências da Terra, pela UNICAMP-SP, especialista em Horticultura pela Universidade de Pisa, na Itália. Nos últimos 7 anos, no Instituto Paulo Freire, coordena a UNIFREIRE e é responsável pela dimensão socioambiental dos projetos realizados pela instituição. Representa o Instituto Paulo Freire no Conselho Internacional do Fórum Social Mundial e do Fórum Mundial de Educação, no Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe, no Fórum Estadual e no Fórum Municipal de Educação de SP. 

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