“Future-se” e o aumento da desigualdade de gênero na carreira acadêmica Entre os efei

Por Marília Moschkovich. Blogdaboitempo
A precarização da educação é, como preconizava Darcy Ribeiro, parte de um projeto. No caso do ensino superior, a precarização da educação é também a precarização da ciência. Para o Brasil, essa relação é ainda mais íntima, já que construímos historicamente um modelo (não cabe neste texto o debate sobre ser o melhor ou não) em que a chamada carreira acadêmica, ou seja, o trabalho de cientista e pesquisador, está atrelada ao trabalho como docente em instituições (sobretudo públicas) de ensino superior. Na esteira dos cortes orçamentários e perseguição ideológica nas universidades públicas no primeiro semestre de governo Bolsonaro, o Ministério da Educação de Abraham Weintraub lançou em julho o pacote Future-se, que acirra a transição para um modelo privatista e com pouca ou nenhuma autonomia científica e universitária (conforme expliquei em minha primeira coluna aqui no Blog da Boitempo).

Entre os efeitos do Future-se, um tem passado quase despercebido, talvez por não ser um dos objetivos explícitos e declarados do pacote de mudanças: o modelo proposto significa, para as mulheres pesquisadoras e cientistas, ainda mais desvantagens profissionais. Com o Future-se, passamos de um contexto de desigualdade de gênero um tanto atenuada na carreira acadêmica para um cenário em que essa desigualdade tenderá a se acirrar, dificultando ainda mais a trajetória das mulheres.

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